...

Fui abandonado, 
Em pleno frio da madrugada. 
Passando a vergonhosa cena, 
De por teu nome gritar, 
dando-me ao luxo de agoniadamente chorar. 

Confundiste-me da cabeça aos pés 
Embaralhaste minha razão, 
Brincaste com um coração , 
Que se afundo entre porcos. 

Lembro-me seu olhar, 
Frio distante, 
Tomando-me o prumo. 
Não esqueço seu sorriso, 
Doce balanço, 
Dando-me um rumo. 

Num momento me destes a alegria, 
Que me levava a agir como um palhaço de circo. 
Bruscamente roubaste minha ridiculeza, 
Fazendo-me num abismo sem fundo cair. 

Depressão, 
Angustia, 
Solidão... 
Qual devo optar? 
Não, melhor juntos andar. 
Separa-las seria voltar , 

Na Alegria, 
Abundância, 
Idolatria... 
Sentimentos que apaguei de mim. 

Por que fiquei assim? 
Em profundo abandono? 
Por que não velou meu sono? 
Por que te quis só pra mim? 

Encontrar-me-ei ao teu lado, 
Num doce embargo. 
Desface-le-ei nos teus braços, 
Tão doído , apertado. 

Parecia ser tão vil, 
o fulgor vindo dos olhos meus. 
Procurando ser gentil, 
Cai nos encantos seus. 

Agora da batalha, 
Saio eu 
-Derrotado- 
Deprimo tudo que digo, 
E vivo tão estraçalhado, 
Que perco a fala, 
Vendo você partir.. 

(Soturno)

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