[Poema] Antes que Amanheça

Remexo-me no incêndio das províncias, 
penetrando subúrbios sem barreiras, 
forçando as horas frescas das manhãs, 
carregando a marmita dos apitos. 

Garoto-propaganda das quimeras, 
recém-deixado à margem da utopia, 
ajeito o brim surrado do uniforme 
para enfrentar as filas do outro mundo. 

Mecânico gestor do arroz com ovo, 
marcado pra morrer em data incerta, 
engulo as emoções em tiras vivas. 

O coração da fábrica é de pedra. 
Meus pés mastigam ruas de aço puro. 
Quero sumir bem antes que amanheça 

Do Livro QUARENTA SONETOS SEM PECADOS, Editora Zen – 2007

Um comentário:

Obrigada pela sua visita!
Volte Sempre!