[Poema] Coisas Antigas

Rendo-me à incerteza do verbo desnudo, 
dos teus gestos vagos, das noites vilãs. 
Toda a força pura do amor extremado 
agora é vontade sem rumo, é cansaço, 
são porões de anseios mofados, antigos. 

Deito ao som da rima perdida, ao relento, 
amor desamor, desencontro e procura, 
como dócil potro na relva do sonho. 

Entrego-me à amarga emoção terminal; 
tudo foge: os olhos, os risos, as mãos... 
não lembro da boca, do rosto, de nada! 

Perdi-me no tempo, desgaste das horas. 
Sei lá dos teus beijos! Teu corpo é visão 
lançada na areia que o mar erodiu. 
sei lá dos encantos do mágico gozo, 
depois de passados os anos da angústia, 
marcando a memória ao ferrete das nuvens. 

Entrego-me à incerteza ou me rendo à verdade?

(Autor Desconhecido)

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