[Poema] Lembrança

A emoção da lembrança pouco importa: 
é resto, é cinza, é tempo remexido, 
tantas vezes de fato não vivido, 
que apenas nos ilude e não conforta! 

Norte desencontrado, onde o sentido 
revela-se exaurido e coisa morta, 
aturdindo a memória e abrindo a porta 
de fatos que se quer ver esquecidos! 

Rumo incerto, procura indefinida, 
sonhos vagos percorre o peregrino, 
perdendo as horas caras do presente! 

É sorte espúria a espera empedernida, 
ilusão de veneno diamantino 
de quem não terá mais o amor ausente! 

QUARENTA SONETOS SEM PECADOS, poesias. Editora Zen, Rio, 2007

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